domingo, 9 de janeiro de 2011

My Dear Friend


Fica o silêncio das lágrimas
Que rolam nas maças murchas,
A dor que dilacera o peito amigo
E a certeza que nada, ninguém consola.
Fica o carinho guardado no coração,
As palavras ditas, mal ditas, bem ditas.
Fica a saudade que parece sem fim.
As conversas povoam a memória,
Agora será uma terna lembrança.
O jeito e ficar e esperar.
Você está bem, mas não está aqui.
Sabemos do mesmo fim e tememos.
Corremos o tempo todo sem perceber
As possibilidades, as pessoas.
Nascemos e morremos!
Vai com os anjos! Vai em paz!


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Saudade

 
Ela chega, senta do meu lado, puxa conversa, brinca comigo, ri dos meus problemas tolos, diz tanta coisa no seu silêncio. Me faz entrar no meu caro corcel, coloca um cd para tocar no som, me convida para ir ao cinema, e eu sem saber o que fazer aceito meio que cambaleando o convite que ela me faz.
Assisto a um filme sem graça, pois meu humor é insuficiente para a ocasião. No meio do filme fujo como se fosse escapar de ser preso, ou como se estivesse a beira de casar com uma, amando outra. E ela não desgruda um minuto sequer. Dentro do carro, dirijo como se estivesse em fuga, como se tivesse cometido um crime e bem que eu queria. Queria jogá-la para fora do carro em movimento.
           Quando estou com os amigos ela me abandona. Santos amigos! Mas, basta eu me encontrar só que ela não conta conversa e vem. Vem e diz que quer ficar comigo, que quer passar a noite ao meu lado. Eu sem companhia me agarro a ela. Ela promete que estará sempre perto, eu queria que ela me jurasse distância, mas ela fala que é impossível.
           Ao acordar, não a encontro ao meu lado, minha mãe me grita, meu pai briga. Dizem que homem tem que acordar cedo. Ela consegue acordar mais cedo do que eu. O dia começa cedo e termina bem tarde e ela não sai do meu pensamento.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Vai dormir menina!

       
            Mãe, tá chovendo lá fora, a chuva tá forte que só! Mãe, aquele menino que a senhora disse que trabalha no sinal deve tá todo molhado agora. Será que alguém vai dar uma toalha pra ele?
            Mãe, ela tá tão sujo, deve tá aproveitando a água da chuva para tomar um banho e sem sabonete. Parece até que ele não tem casa pra morar e nem uma mãe como a senhora para cuidar dele. Ele já tá pretinho de tanto trabalhar no sol quente. Onde será que tá a mãe dele? Parece até que ela esqueceu dele...
            Mãe, ele tem um monte de irmãos, porque quando ando de carro com o papai vejo eles em todo sinal, e eles ficam jogando umas pedrinhas pra cima. O papai deu dinheiro para ele uma vez, ele me disse que era para o menino não jogar as pedrinhas no carro novo do papai.
            E no natal mãe será que ele ganhou um presente do Papai Noel? Será que alguém deu um abraço desejando feliz ano novo pra ele? Tomara que sim!
            Oh mãe!! Por que a senhora me manda sempre dormir quando eu pergunto as coisas?

Quero uma casa limpa...



Chove chuva, molha minha casa.
Minha casa precisa ser lavada.
Tem muita coisa para ser levada,
E só uma chuva pode dar conta.

Chove chuva, como enxurrada,
Lava bem cada espaço dela.
Limpa com a força da tua água
Porque não consegui tal façanha.

Chove chuva amiga, forte e serena
Venha do céu e leve para fora,
Arraste pelos córregos depressa.
Traga o vento que a tudo dissipa.

Chove chuva, e que o sol apareça
Trazendo consigo luz renovada.
E que o vento, sentir me faça
O cheiro que é só, somente dela.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Morena


É morena tá tudo bem
Sereno é quem tem
A paz de estar em par com Deus
Pode rir agora
Que o fio da maldade se enrola

Pra nós todo o amor do mundo
Pra eles o outro lado
Eu digo mal me quer
Ninguém escapa o peso de viver assim
Ser assim, eu não
Prefiro assim com você
Juntinho sem caber de imaginar
Até o fim raiar

Pra nós todo o amor do mundo
Pra eles o outro lado
Eu digo mal me quer
Ninguém escapa o peso de viver assim
Ser assim, eu não
Prefiro assim com você
Juntinho sem caber de imaginar
Até o fim raiar

Los Hermanos
http://www.vagalume.com.br/los-hermanos/morena.html#ixzz19te3bEz2

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ela teimava, não me dizia o que eu queria ouvir. Ela só confessava a loucura de nossas vidas quando eu, enlouquecido, gritava e pedia que ela também gritasse, desvairada. Eu pedia pra ela descer do muro e ela só me olhava, feito felina acuada, enfurecidamente domesticada, precisando do conforto dos meus braços, sem querer confessar.

*******
Ela mentia, dizia do cansaço, repetia nãos com o peito ecoando sins, desconversava, olhava e nada dizia, só pra me ouvir insistir depois de tantas recusas. Por que eu sabia que ela me queria, embora ela não desse ouvidos à minha canção que pedia que ela ficasse comigo. Só comigo.


S. Rocha

A leitura continua

Na baixa do sapateiro

Morena, eu ando louco de saudade
Meu Senhor do Bonfim
Arranje outra morena igualzinha pra mim

Oh! amor, ai
Amor bobagem que a gente não explica, ai ai
Prova um bocadinho, ô
Fica envenenado, ô
E pro resto da vida é um tal de sofrer
Ôlará, ôlerê

Ary Barroso